quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Aula 4 - 1º ano Filosofia


A consciência: o sujeito, o eu, a pessoa e o cidadão
       Tornar o sujeito do conhecimento objeto de conhecimento para si mesmo é a grande tarefa que a modernidade filosófica inaugura ao desenvolver a teoria do conhecimento.
       Como se trata da volta do pensamento sobre si mesmo para conhecer-se, ou do sujeito do conhecimento colocando-se como objeto para si mesmo, a teoria do conhecimento é a reflexão filosófica.
       O que a teoria do conhecimento entende por consciência?
 A capacidade humana para conhecer, para saber que conhece e para saber que sabe que conhece. A consciência é um conhecimento (das coisas e de si) e um conhecimento desse conhecimento (reflexão).
       O sujeito do conhecimento  se reconhece como diferente dos objetos, cria e/ou descobre significaçôes, institui sentidos, elabora conceitos, idéias, juízos e teorias.
       Por ser dotado da capacidade de conhecer-se a si mesmo no ato do conhecimento, o sujeito é um saber de si e um saber sobre o mundo, manifestando-se como sujeito percebedor, imaginante, memorioso, falante e pensante.
Por sua universalidade, o sujeito do conhecimento distingue-se da consciência psicológica, pois esta é sempre individual.
Consciência psicológica
       Do ponto de vista psicológico, a consciência é o sentimento de nossa própria identidade: o eu. O eu é o centro ou a unidade de todos os nossos estados psíquicos e corporais, ou aquela percepção que permite a alguém dizer “meu corpo”, “minha razão”, “minhas lembranças”.
       O eu é a consciência de si como o ponto de identidade e de permanência de um fluxo temporal interior que retém passado na memória, percebe o presente pela atenção espera o futuro pela imaginação e pelo pensamento.
       Ao contrário do eu, o sujeito do conhecimento não é uma vivência individual, uma estrutura cognitiva dotada universalidade.
Dimensão ética da consciência
       Do ponto de vista ético e moral, a consciência é a capacidade livre e racional para escolher, deliberar e agir conforme valores, normas e regras que dizem respeito ao bem e ao mal, so justo e ao injusto, à virtude e ao vício. É a pessoa, dotada de vontade livre e de responsabilidade.
       É a capacidade de alguém para compreender e interpretar sua própria situação e condição, viver na companhia de outros segundo as normas e os valores morais definidos por sua sociedade, agir tendo em vista fins escolhidos por deliberação própria, comportar-se segundo o que julga o melhor para si e para os outros e, quando necessário, contrapor-se e opor-se aos valores estabelecidos, em nome de outros considerados mais adequados à lirdade e à responsabilidade.
       É a consciência de si como exercicio racional e afetivo da liberdade e da responsabilidade, em vista da vida feliz e justa.
Esfera política
       Do ponto de vista político, a consciência é o cidadão, isto é, a consciência de si definida pela esfera pública dos direitos e deveres civis e sociais, das leis e do poder político.
       A consciência moral (a pessoa) e a consciência política (o cidadão) formam-se pelas relações entre as vivências do eu e os valores e as instituições de sua sociedade ou de sua cultura.
       O eu é a consciência como uma vivência psíquica e uma experiência que se realiza na forma de comportamentos; a pessoa é a consciência como agente moral; e o cidadão é a consciência como agente político.
       A ação da pessoa e a do cidadão formam a práxis, palavra grega que significa “a ação na qual o agente, o ato realizado por ele e a finalidade do ato são idênticos”.

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