Os filósofos modernos e o nascimento da teoria do conhecimento
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Para os modernos a teoria do conhecimento foi
considerada anterior à questão da ontologia e pré-requisito para a filosofia e
as ciências.
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Por que essa mudança de perspectiva dos gregos
para os modernos? Porque entre eles instala-se o cristianismo, trazendo
problemas que os antigos filósofos desconheciam.
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A perspectiva cristã introduziu distinções que
romperam com a ideia grega de uma participação direta e harmoniosa entre o
intelecto e a verdade.
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Separação entre o homem e Deus.
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Verdades da razão e verdades da fé
Como é possível o erro ou a ilusão?
Gregos: se o verdadeiro é o próprio ser fazendo-se ver em
todas as coisas, presente em nossas percepções, em nossas palavras, em nossos
pensamentos, como o falso é possível se o falso é dizer e pensar que existe o
que não existe?
Modernos: se a verdade é o que está no intelecto infinito de
Deus, então está escondida de nossa razão finita e não temos acesso a ela.
Observaram que as verdades da fé haviam influenciado a
própria maneira de conceber as verdades da razão;
Recusar o poder de autoridades sobre a razão, seja das
Igrejas, das escolas e dos livros;
Separam fé e razão
Francis Bacon
Teoria da crítica dos ídolos (impedem o conhecimento da
verdade)
• Ídolos
da caverna: as opiniões que se formam em nós por erros e defeitos de nossos
órgãos dos sentidos;
• Ídolos
do fórum: são opiniões que se formam em nós como consequência da linguagem
e de nossas relações com os outros;
• Ídolos
do teatro: são as opiniões formadas em nós em decorrência dos poderes das
autoridades que nos impõem seus pontos de vista e os transformam em decretos e
leis inquestionáveis;
• Ídolos
da tribo: são as opiniões que se formam em nós em decorrência da natureza
humana
A demolição dos idolos é, portanto, uma reforma do
intelecto, dos conhecimentos e da sociedade.
René Descartes
Descartes localizava a origem do erro em duas atitudes que
chamou de atitudes infantis:
A prevenção: é
a facilidade com que nosso espírito se deixa levar pelas opiniões e ideias
alheias, sem se preocupar em verificar se são ou não verdadeiras. São as
opiniões que se cristalizam em nós sob a forma de preconceitos e que escravizam
nosso pensamento, impedindo-nos de pensar e de investigar;
A precipitação: é a facilidade e a velocidade com que
nossa vontade nos faz emitir juízos sobre as coisas antes de verificarmos se
nossas ideias são ou não são verdadeiras. São opiniões que emitimos em
consequência de nossa vontade ser mais forte e poderosa do que nosso intelecto.
Os objetivos principais do método são:
Assegurar a reforma do intelecto para que este siga o
caminho seguro da verdade (portanto, afastar a prevenção e a precipitação);
Oferecer procedimentos pelos quais a razão possa
controlar-se a si mesma durante o processo de conhecimento sabendo que caminho
percorrer e sabendo reconhecer se um resultado obtido é verdadeiro ou não;
Permitir a ampliação ou o aumento dos conhecimentos graças a
procedimento seguros que permitam passar do já conhecido ao desconhecido;
Oferecer os meios para que os novos conhecimentos possam ser
aplicados, pois o saber deve, no dizer de Descartes, tornar o homem “senhor da
natureza”.
Descartes, portanto, define o método como um conjunto de
regras cujas características principais são três:
* Certas (o método dá segurança ao pensamento);
* Fáceis (o método evita complicações e esforços inúteis);
* Amplas (o método deve permitir que se alcance todos os
conhecimentos possíveis para o entendimento humano).
Descartes elabora quatro grandes regras do método:
- Regra
da Evidência: Só admitir como verdadeiro um conhecimento evidente, isto é,
no qual e sobre o qual não caiba a menor dúvida.
- Regra
da Divisão: Para conhecermos realidades complexas precisamos dividir as
dificuldades e os problemas em suas parcelas mais simples, examinando cada
uma delas em conformidade com a regra da evidência;
- Regra
da Ordem: Os pensamentos devem ser ordenados em séries que vão dos mais
simples aos mais complexos, dos mais fáceis aos mais difíceis, pois a
ordem consiste em distribuir os conhecimentos de tal maneira que possamos
passar do conhecido ao desconhecido;
- Regra
da enumeração: A cada conhecimento novo obtido, fazer a revisão completa
dos passos dados, dos resultados parciais e dos encadeamentos que
permitiram chegar ao novo conhecimento.
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