sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Aula 2 - 1º ano Filosofia


Os filósofos modernos e o nascimento da teoria do conhecimento
-          Para os modernos a teoria do conhecimento foi considerada anterior à questão da ontologia e pré-requisito para a filosofia e as ciências.
-          Por que essa mudança de perspectiva dos gregos para os modernos? Porque entre eles instala-se o cristianismo, trazendo problemas que os antigos filósofos desconheciam.
-          A perspectiva cristã introduziu distinções que romperam com a ideia grega de uma participação direta e harmoniosa entre o intelecto e a verdade.
-          Separação entre o homem e Deus.
-          Verdades da razão e verdades da fé
Como é possível o erro ou a ilusão?

Gregos: se o verdadeiro é o próprio ser fazendo-se ver em todas as coisas, presente em nossas percepções, em nossas palavras, em nossos pensamentos, como o falso é possível se o falso é dizer e pensar que existe o que não existe?
Modernos: se a verdade é o que está no intelecto infinito de Deus, então está escondida de nossa razão finita e não temos acesso a ela.
Observaram que as verdades da fé haviam influenciado a própria maneira de conceber as verdades da razão;
Recusar o poder de autoridades sobre a razão, seja das Igrejas, das escolas e dos livros;
Separam fé e razão
Francis Bacon
Teoria da crítica dos ídolos (impedem o conhecimento da verdade)
       Ídolos da caverna: as opiniões que se formam em nós por erros e defeitos de nossos órgãos dos sentidos;
       Ídolos do fórum: são opiniões que se formam em nós como consequência da linguagem e de nossas relações com os outros;
       Ídolos do teatro: são as opiniões formadas em nós em decorrência dos poderes das autoridades que nos impõem seus pontos de vista e os transformam em decretos e leis inquestionáveis;
       Ídolos da tribo: são as opiniões que se formam em nós em decorrência da natureza humana
A demolição dos idolos é, portanto, uma reforma do intelecto, dos conhecimentos e da sociedade.
René Descartes
Descartes localizava a origem do erro em duas atitudes que chamou de atitudes infantis:
 A prevenção: é a facilidade com que nosso espírito se deixa levar pelas opiniões e ideias alheias, sem se preocupar em verificar se são ou não verdadeiras. São as opiniões que se cristalizam em nós sob a forma de preconceitos e que escravizam nosso pensamento, impedindo-nos de pensar e de investigar;
A precipitação: é a facilidade e a velocidade com que nossa vontade nos faz emitir juízos sobre as coisas antes de verificarmos se nossas ideias são ou não são verdadeiras. São opiniões que emitimos em consequência de nossa vontade ser mais forte e poderosa do que nosso intelecto.
Os objetivos principais do método são:
Assegurar a reforma do intelecto para que este siga o caminho seguro da verdade (portanto, afastar a prevenção e a precipitação);
Oferecer procedimentos pelos quais a razão possa controlar-se a si mesma durante o processo de conhecimento sabendo que caminho percorrer e sabendo reconhecer se um resultado obtido é verdadeiro ou não;
Permitir a ampliação ou o aumento dos conhecimentos graças a procedimento seguros que permitam passar do já conhecido ao desconhecido;
Oferecer os meios para que os novos conhecimentos possam ser aplicados, pois o saber deve, no dizer de Descartes, tornar o homem “senhor da natureza”.
Descartes, portanto, define o método como um conjunto de regras cujas características principais são três:
* Certas (o método dá segurança ao pensamento);
* Fáceis (o método evita complicações e esforços inúteis);
* Amplas (o método deve permitir que se alcance todos os conhecimentos possíveis para o entendimento humano).
Descartes elabora quatro grandes regras do método:
  1. Regra da Evidência: Só admitir como verdadeiro um conhecimento evidente, isto é, no qual e sobre o qual não caiba a menor dúvida.
  2. Regra da Divisão: Para conhecermos realidades complexas precisamos dividir as dificuldades e os problemas em suas parcelas mais simples, examinando cada uma delas em conformidade com a regra da evidência;
  3. Regra da Ordem: Os pensamentos devem ser ordenados em séries que vão dos mais simples aos mais complexos, dos mais fáceis aos mais difíceis, pois a ordem consiste em distribuir os conhecimentos de tal maneira que possamos passar do conhecido ao desconhecido;
  4. Regra da enumeração: A cada conhecimento novo obtido, fazer a revisão completa dos passos dados, dos resultados parciais e dos encadeamentos que permitiram chegar ao novo conhecimento.

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