sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Aula 3 - 1º ano Filosofia


Locke (1632-1704)
John Locke é o iniciador da teoria do conhecimento propriamente dita porque se propõe a analisar cada uma das formas de conhecimento que possuímos. A saber:
¨  A origem de nossas ideias e nossos discursos,
¨  A finalidade das teorias,
¨  E as capacidades do sujeito cognoscente relacionadas com os objetos que ele pode conhecer.
Ensaio sobre o entendimento humano
“Visto que o entendimento situa o homem acima dos outros seres sensíveis e dá-lhe toda vantagem e todo domínio que tem sobre eles, seu estudo consiste certamente num tópico que, por sua nobreza, é merecedor de nosso trabalho de investigá-lo.
O entendimento, como o olho, que nos faz ver e perceber todas as outras coisas, não se observa a si mesmo; requer arte e esforço situá-lo a distância e fazê-lo seu próprio objeto”.
Assim como o olho, que faz ver e não se vê a si mesmo, o entendimento humano faz conhecer, mas não se conhece a si mesmo.
Para conhecer-se, isto é, para que o entendimento torne-se um objeto de conhecimento para si mesmo, “requer arte e esforço”.
Para Locke, todas as ideias e todos os princípios do conhecimento derivam da experiência sensível.
Em outras palavras, o intelecto recebe da experiência sensível todo o material do conhecimento e por esse motivo pode-se dizer que não há nada em nosso entendimento que não tenha vindo das sensações.
“Suponhamos que o espírito seja, por assim dizer, uma folha em branco, sem nenhuma letra, sem nenhuma ideia. Como estas chegaram ali? (...) De onde procede todo o material da razão e do conhecimento? Respondo com uma só palavra: da experiência.
Todo nosso conhecimento se baseia nela e dela provém em última instância.”
Como se formam os conhecimentos?
Por um processo de combinação e associação dos dados da experiência.
Por meio das sensações, recebemos as impressões das coisas externas; essas impressões formam o que Locke chama de ideias simples.
Nas percepções essas impressões ou ideias simples se associam por semelhanças e diferenças, formando ideias complexas ou compostas.
Por intermédio de novas combinações e associações, essas ideias se tornarão mais complexas na razão, que forma as ideias abstratas ou gerais, como as ideias de substância, corpo, alma, Deus, Natureza, etc.
Tudo o que sabemos existir nos é dado pela experiência
Visto que a experiência nos mostra e nos dá a conhecer apenas coisas particulares ou singulares, somente elas existem.
Por conseguinte, as ideias gerais ou universais não correspondem a realidades ou a essências existentes, mas são nomes que instituímos por convenção para organizar nossos pensamentos e nossos discursos.
Exemplos
Nossos olhos sentem ou percebem objetos coloridos e não a cor.
Da mesma forma, nossos olhos percebem objetos luminosos ou com luminosidades diferentes, mas não percebem a luz.
Não existe “a cor”, mas objetos singulares coloridos tais como os percebemos – “a cor” é um nome geral com que nossa razão organiza nossas sensações visuais. Do mesmo modo acontece com a luz.
Racionalismo e Empirismo
Na história da filosofia e da epistemologia, a diferença de perspectiva entre Descartes e Locke levou a distinguir as duas grandes orientações da teoria do conhecimento: o racionalismo e o empirismo.
Para o racionalismo, a razão, tomada em si mesma e sem apoio da experiência sensível, é o fundamento e a fonte do conhecimento verdadeiro.
Para o empirismo, o fundamento e a fonte de todo e qualquer conhecimento é a experiência sensível, que é responsável pela existência das ideias na razão e controla o trabalho da própria razão, pois o valor e o sentido da atividade racional dependem do que é determinado pela experiência sensível.


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