O pensamento
Em nosso cotidiano usamos as
palavras pensar e pensamento em sentidos variados e múltiplos.
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“Por favor, diga-me seu pensamento, em que
você está pensando?”.
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“Você pensa que não sei o que você está
pensando?”.
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“Como é, pensou?”
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“Você pensa demais, não faz bem à saúde”.
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“O pensamento do dia é…”
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“Esse trabalho mostra que você não quis
pensar”
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“Penso, logo existo” (Cogito, ergo sum)
O pensamento é a consciência
ou a inteligência saindo de si para ir colhendo, reunindo, recolhendo os dados
oferecidos pela experiência, pela percepção, pela imaginação, pela memória,
pela linguagem, e voltando a si, para considerá-los atentamente, colocá-los
diante de si, observá-los intelectualmente, avalia-los, retirando deles
conclusões, formulando com eles idéias, conceitos, juízos, raciocínios,
valores.
A inteligência
A psicologia costuma definir a inteligência por
sua função, considerando-a uma atividade de adaptação ao ambiente, através do
estabelecimento de relações entre meios e fins para a solução de um problema ou
de uma dificuldade. Essa definição concebe, portanto, a inteligência como uma
atividade eminentemente prática e a distingue de duas outras que também possuem
finalidade adaptativa e relacionam meios e fins: o instinto e o hábito.
O instinto é inato. Ao contrário,
o hábito é adquirido, mas, como o instinto, tende a realizar-se
automaticamente.
A inteligência difere do instinto
e do hábito por sua flexibilidade, pela capacidade de encontrar novos meios
para um novo fim, ou de adaptar meios existentes para uma finalidade nova, pela
possibilidade de enfrentar de maneira diferente situações novas e inventar
novas soluções para elas, pela capacidade de escolher entre vários meios
possíveis e entre vários fins possíveis.
Inteligência e linguagem
- O
exercício da inteligência como pensamento é inseparável da linguagem, como já
vimos, pois a linguagem é o que nos permite estabelecer relações, concebe-las e
compreende-las. Graças às significações escada e rede, a criança pode pensar
nesses objetos e fabricá-los.
- A
inteligência humana, enquanto atividade mental e de linguagem, pode ser
definida como a capacidade para enfrentar ou colocar diante de si problemas
práticos e teóricos, para os quais encontra, elabora ou concebe soluções, seja
pela criação de instrumentos práticos (as técnicas), seja pela criação de
significações (idéias e conceitos).
Inteligência e pensamento
Um conceito ou uma idéia é uma rede de
significações que nos oferece: o sentido interno e essencial daquilo a que se
refere; os nexos causais ou as relações necessárias entre seus elementos, de
sorte que por eles conhecemos a origem, os princípios, as conseqüências, as
causas e os efeitos daquilo a que se refere. O conceito ou idéia nos oferece a
essência-significação necessária de alguma coisa, sua origem ou causa, suas
conseqüências ou seus efeitos, seu modo de ser e de agir.
Os conceitos ou idéias são redes
de significações cujos nexos um ligações são expressos pelo pensamento através
dos juízos, pelos quais estabelecemos os elos internos e necessários entre um
ser e as qualidades, as propriedades, os atributos que lhe pertencem, assim
como aqueles predicados que lhe são acidentais e que podem ser retirados sem
que isso afete o sentido e a realidade de um ser.
Um conjunto de juízos constitui
uma teoria, quando:
•
estabelece com clareza um campo de objetos e os
procedimentos para conhece-los e enuncia-los;
•
organizam-se e ordenam-se os conceitos;
•
articulam-se e demonstram-se os juízos,
verificando seu acordo com regras e princípios de racionalidade e demonstração.
•
A necessidade do método
•
A palavra
método vem do grego, methodos, composta de meta: através de, por meio de, e de
hodos: via, caminho.
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1. conduzir à descoberta de uma verdade até
então desconhecida;
•
2. permitir a demonstração e a prova de uma
verdade já conhecida;
•
3. permitir a verificação de conhecimentos
para averiguar se são ou não verdadeiros.
•
O
método é, portanto, um instrumento racional para adquirir, demonstrar ou
verificar conhecimentos.
•
- Platão,
por exemplo, considerava que o melhor caminho para o conhecimento verdadeiro
era o que permitia ao pensamento libertar-se do conhecimento sensível (crenças,
opiniões), isto é, das imagens e aparências das coisas.
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- Aristóteles definiu o procedimento
filosófico-científico como um método demonstrativo que se realiza por meio de
silogismos. O silogismo é um conjunto de três juízos ou proposições que permite
obter uma conclusão verdadeira.
•
Todos os homens são mortais.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.
Durante a
modernidade a necessidade de um método tornou-se ainda mais imperiosa do que
antes, pois o sujeito do conhecimento não sabe se pode alcançar a verdade.
Descartes
enuncia, portanto, as três principais características das regras do método:
1. certas
(o método dá segurança ao pensamento);
2. fáceis
(o método economiza esforços inúteis); e
3. que
permitam alcançar todos os conhecimentos possíveis para o entendimento humano.
Quanto à
Filosofia, embora os filósofos tenham oscilado entre vários métodos possíveis,
atualmente quatro traços são comuns aos diferentes métodos filosóficos:
1. o método é
reflexivo – parte da auto-análise ou do autoconhecimento do pensamento;
2. é crítico –
investiga os fundamentos e as condições necessárias da possibilidade do
conhecimento verdadeiro, da ação ética, da criação artística e da atividade
política;
3. é
descritivo – descreve as estruturas internas ou essências de cada campo de
objetos do conhecimento e das formas de ação humana;
4. é
interpretativo – busca as formas da linguagem e as significações ou os sentidos
dos objetos, dos fatos, das práticas e das instituições, suas origens e
transformações.
Pensamento
mítico e pensamento lógico
O mito possui,
assim, três características principais:
1. função
explicativa: o presente é explicado por alguma ação passada cujos efeitos
permaneceram no tempo.
2. função
organizativa: o mito organiza as relações sociais (de parentesco, de alianças,
de trocas, de sexo, de idade, de poder, etc.) de modo a legitimar e garantir a
permanência de um sistema complexo de proibições e permissões.
3. função
compensatória: o mito narra uma situação passada, que é a negação do presente e
que serve tanto para compensar os humanos de alguma perda como para
garantir-lhes que um erro passado foi corrigido no presente, de modo a oferecer
uma visão estabilizada e regularizada da Natureza e da vida comunitária.
Como
funciona o pensamento conceitual
•
um conceito ou uma idéia não é uma imagem nem um
símbolo, mas uma descrição e uma explicação da essência ou natureza própria de
um ser, referindo-se a esse ser e somente a ele;
•
um conceito ou uma idéia não são substitutos
para as coisas, mas a compreensão intelectual delas;
•
um conceito ou uma idéia não são formas de
participação ou de relação de nosso espírito em outra realidade, mas são resultado
de uma análise ou de uma síntese dos dados da realidade ou do próprio
pensamento;
•
um juízo e um raciocínio não permanecem no nível
da experiência, nem organizam a experiência nela mesma, mas, partindo dela, a
sistematizam em relações racionais que a tornam compreensível do ponto de vista
lógico;
•
um juízo e um raciocínio buscam as causas
universais e necessárias pelas quais uma realidade é tal como é, distinguindo o
modo como ela nos aparece do modo como é em si mesma; as causas e os efeitos
são homogêneos, isto é, são de mesma natureza;
um juízo e um
raciocínio estudam e investigam a diferença entre nossas vivências subjetivas,
pessoais e coletivas, e os conhecimentos gerais e objetivos, que são de todos e
de ninguém em particular. Estabelecem a diferença entre vivências subjetivas e
a estrutura objetiva do pensamento em geral;
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