domingo, 11 de novembro de 2012

IV Bimestre: Aula 4 - 1º ano


O pensamento
Em nosso cotidiano usamos as palavras pensar e pensamento em sentidos variados e múltiplos.
       “Por favor, diga-me seu pensamento, em que você está pensando?”.
       “Você pensa que não sei o que você está pensando?”.
       “Como é, pensou?”
       “Você pensa demais, não faz bem à saúde”.
       “O pensamento do dia é…”
       “Esse trabalho mostra que você não quis pensar”
       “Penso, logo existo” (Cogito, ergo sum)
O pensamento é a consciência ou a inteligência saindo de si para ir colhendo, reunindo, recolhendo os dados oferecidos pela experiência, pela percepção, pela imaginação, pela memória, pela linguagem, e voltando a si, para considerá-los atentamente, colocá-los diante de si, observá-los intelectualmente, avalia-los, retirando deles conclusões, formulando com eles idéias, conceitos, juízos, raciocínios, valores.
A inteligência
                A psicologia costuma definir a inteligência por sua função, considerando-a uma atividade de adaptação ao ambiente, através do estabelecimento de relações entre meios e fins para a solução de um problema ou de uma dificuldade. Essa definição concebe, portanto, a inteligência como uma atividade eminentemente prática e a distingue de duas outras que também possuem finalidade adaptativa e relacionam meios e fins: o instinto e o hábito.
O instinto é inato. Ao contrário, o hábito é adquirido, mas, como o instinto, tende a realizar-se automaticamente.
A inteligência difere do instinto e do hábito por sua flexibilidade, pela capacidade de encontrar novos meios para um novo fim, ou de adaptar meios existentes para uma finalidade nova, pela possibilidade de enfrentar de maneira diferente situações novas e inventar novas soluções para elas, pela capacidade de escolher entre vários meios possíveis e entre vários fins possíveis. 
Inteligência e linguagem
 -             O exercício da inteligência como pensamento é inseparável da linguagem, como já vimos, pois a linguagem é o que nos permite estabelecer relações, concebe-las e compreende-las. Graças às significações escada e rede, a criança pode pensar nesses objetos e fabricá-los.
 -             A inteligência humana, enquanto atividade mental e de linguagem, pode ser definida como a capacidade para enfrentar ou colocar diante de si problemas práticos e teóricos, para os quais encontra, elabora ou concebe soluções, seja pela criação de instrumentos práticos (as técnicas), seja pela criação de significações (idéias e conceitos). 
Inteligência e pensamento
                Um conceito ou uma idéia é uma rede de significações que nos oferece: o sentido interno e essencial daquilo a que se refere; os nexos causais ou as relações necessárias entre seus elementos, de sorte que por eles conhecemos a origem, os princípios, as conseqüências, as causas e os efeitos daquilo a que se refere. O conceito ou idéia nos oferece a essência-significação necessária de alguma coisa, sua origem ou causa, suas conseqüências ou seus efeitos, seu modo de ser e de agir.
Os conceitos ou idéias são redes de significações cujos nexos um ligações são expressos pelo pensamento através dos juízos, pelos quais estabelecemos os elos internos e necessários entre um ser e as qualidades, as propriedades, os atributos que lhe pertencem, assim como aqueles predicados que lhe são acidentais e que podem ser retirados sem que isso afete o sentido e a realidade de um ser.
Um conjunto de juízos constitui uma teoria, quando:
       estabelece com clareza um campo de objetos e os procedimentos para conhece-los e enuncia-los;
       organizam-se e ordenam-se os conceitos;
       articulam-se e demonstram-se os juízos, verificando seu acordo com regras e princípios de racionalidade e demonstração.
       A necessidade do método
                      A palavra método vem do grego, methodos, composta de meta: através de, por meio de, e de hodos: via, caminho.
       1. conduzir à descoberta de uma verdade até então desconhecida;
       2. permitir a demonstração e a prova de uma verdade já conhecida;
       3. permitir a verificação de conhecimentos para averiguar se são ou não verdadeiros.
                      O método é, portanto, um instrumento racional para adquirir, demonstrar ou verificar conhecimentos.
       -              Platão, por exemplo, considerava que o melhor caminho para o conhecimento verdadeiro era o que permitia ao pensamento libertar-se do conhecimento sensível (crenças, opiniões), isto é, das imagens e aparências das coisas.
        -  Aristóteles definiu o procedimento filosófico-científico como um método demonstrativo que se realiza por meio de silogismos. O silogismo é um conjunto de três juízos ou proposições que permite obter uma conclusão verdadeira.
       Todos os homens são mortais.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.
Durante a modernidade a necessidade de um método tornou-se ainda mais imperiosa do que antes, pois o sujeito do conhecimento não sabe se pode alcançar a verdade.
Descartes enuncia, portanto, as três principais características das regras do método:
1. certas (o método dá segurança ao pensamento);
2. fáceis (o método economiza esforços inúteis); e
3. que permitam alcançar todos os conhecimentos possíveis para o entendimento humano.
Quanto à Filosofia, embora os filósofos tenham oscilado entre vários métodos possíveis, atualmente quatro traços são comuns aos diferentes métodos filosóficos:
1. o método é reflexivo – parte da auto-análise ou do autoconhecimento do pensamento;
2. é crítico – investiga os fundamentos e as condições necessárias da possibilidade do conhecimento verdadeiro, da ação ética, da criação artística e da atividade política;
3. é descritivo – descreve as estruturas internas ou essências de cada campo de objetos do conhecimento e das formas de ação humana;
4. é interpretativo – busca as formas da linguagem e as significações ou os sentidos dos objetos, dos fatos, das práticas e das instituições, suas origens e transformações.
Pensamento mítico e pensamento lógico
O mito possui, assim, três características principais:
1. função explicativa: o presente é explicado por alguma ação passada cujos efeitos permaneceram no tempo.
2. função organizativa: o mito organiza as relações sociais (de parentesco, de alianças, de trocas, de sexo, de idade, de poder, etc.) de modo a legitimar e garantir a permanência de um sistema complexo de proibições e permissões.
3. função compensatória: o mito narra uma situação passada, que é a negação do presente e que serve tanto para compensar os humanos de alguma perda como para garantir-lhes que um erro passado foi corrigido no presente, de modo a oferecer uma visão estabilizada e regularizada da Natureza e da vida comunitária.
Como funciona o pensamento conceitual
       um conceito ou uma idéia não é uma imagem nem um símbolo, mas uma descrição e uma explicação da essência ou natureza própria de um ser, referindo-se a esse ser e somente a ele;
       um conceito ou uma idéia não são substitutos para as coisas, mas a compreensão intelectual delas;
       um conceito ou uma idéia não são formas de participação ou de relação de nosso espírito em outra realidade, mas são resultado de uma análise ou de uma síntese dos dados da realidade ou do próprio pensamento;
       um juízo e um raciocínio não permanecem no nível da experiência, nem organizam a experiência nela mesma, mas, partindo dela, a sistematizam em relações racionais que a tornam compreensível do ponto de vista lógico;
       um juízo e um raciocínio buscam as causas universais e necessárias pelas quais uma realidade é tal como é, distinguindo o modo como ela nos aparece do modo como é em si mesma; as causas e os efeitos são homogêneos, isto é, são de mesma natureza;
um juízo e um raciocínio estudam e investigam a diferença entre nossas vivências subjetivas, pessoais e coletivas, e os conhecimentos gerais e objetivos, que são de todos e de ninguém em particular. Estabelecem a diferença entre vivências subjetivas e a estrutura objetiva do pensamento em geral;


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