A linguagem
A importância da linguagem
• “A
palavra distingue os homens dos animais; a linguagem distingue as nações entre
si. Não se sabe de onde é um homem antes que ele tenha falado”.
• “Desde
que um homem foi reconhecido por outro como um ser sensível, pensante e
semelhante a si próprio, o desejo e a necessidade de comunicar-lhe seus
sentimentos e pensamentos fizeram-no buscar meios para isso”.
Rousseau
A linguagem é, assim, a forma
propriamente humana da comunicação, da relação com o mundo e com os outros, da
vida social e política, do pensamento e das artes.
Platão considerava que a
linguagem pode ser um medicamento ou um remédio para o conhecimento.
à
pelo diálogo e pela comunicação, conseguimos descobrir nossa ignorância e
aprender com os outros.
à
pela sedução das palavras, nos faz aceitar, fascinados, o que vimos ou lemos,
sem que indaguemos se tais palavras são verdadeiras ou falsas.
A linguagem pode ser conhecimento-comunicação, mas
também pode ser encantamento-sedução.
A força da linguagem
Podemos avaliar a força da linguagem tomando como
exemplo os mitos e as religiões.
-
A palavra grega mythos, como já vimos, significa narrativa e, portanto,
linguagem.
- O mito tem o poder de fazer com que as coisas sejam
tais como são ditas ou pronunciadas.
- Também vemos a força realizadora ou concretizadora
da linguagem nas liturgias religiosas.
- A linguagem tem, assim, um poder encantatório, isto
é, uma capacidade para reunir o sagrado e o profano
As palavras assumem o poder
contrário também, isto é, criam tabus.
O poder mágico-religioso da
palavra aparece ainda num outro contexto: o do direito.
Independentemente de acreditarmos
ou não em palavras místicas, mágicas, encantatórias ou tabus, o importante é
que existam, pois sua existência revela o poder que atribuímos à linguagem.
A outra dimensão da linguagem
Para referir-se à palavra e à linguagem, os
gregos possuíam duas palavras: mythos e logos. Diferentemente do mythos, logos
é uma síntese de três palavras ou idéias: fala/palavra, pensamento/idéia e
realidade/ser.
Logos
é a palavra racional do conhecimento do real. É discurso (ou seja, argumento e
prova), pensamento (ou seja, raciocínio e demonstração) e realidade (ou seja,
os nexos e ligações universais e necessários entre os seres).
É a palavra-pensamento
compartilhada: diálogo; é a palavra-pensamento verdadeira: lógica; é a
palavra-pensamento de alguma coisa: o “logia” que colocamos no final de
palavras como cosmologia, mitologia, teologia, ontologia, biologia, psicologia,
sociologia, antropologia, tecnologia, filologia, farmacologia, etc.
A origem da linguagem
Uma primeira divergência sobre o assunto surgiu
na Grécia: a linguagem é natural aos homens (existe por natureza) ou é uma
convenção social?
Perguntar
pela origem da linguagem levou a quatro tipos de respostas:
1.
a linguagem nasce por imitação, isto é, os humanos imitam, pela voz, os sons da
Natureza;
2.
a linguagem nasce por imitação dos gestos, isto é, nasce como uma espécie de
pantomima ou encenação, na qual o gesto indica um sentido;
3. a linguagem
nasce da necessidade: a fome, a sede, a necessidade de abrigar-se e
proteger-se, a necessidade de reunir-se em grupo para defender-se das
intempéries, dos animais e de outros homens mais fortes levaram à criação de
palavras, formando um vocabulário elementar e rudimentar, que, gradativamente,
tornou-se mais complexo e transformou-se numa língua;
4.
a linguagem nasce das emoções, particularmente do grito (medo, surpresa ou
alegria), do choro (dor, medo, compaixão) e do riso (prazer, bem-estar,
felicidade).
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