quinta-feira, 1 de novembro de 2012

IV Bimestre: Aula 3 - 1º ano


A linguagem
A importância da linguagem
       “A palavra distingue os homens dos animais; a linguagem distingue as nações entre si. Não se sabe de onde é um homem antes que ele tenha falado”.
       “Desde que um homem foi reconhecido por outro como um ser sensível, pensante e semelhante a si próprio, o desejo e a necessidade de comunicar-lhe seus sentimentos e pensamentos fizeram-no buscar meios para isso”.
Rousseau
A linguagem é, assim, a forma propriamente humana da comunicação, da relação com o mundo e com os outros, da vida social e política, do pensamento e das artes.
Platão considerava que a linguagem pode ser um medicamento ou um remédio para o conhecimento.
à pelo diálogo e pela comunicação, conseguimos descobrir nossa ignorância e aprender com os outros.
à pela sedução das palavras, nos faz aceitar, fascinados, o que vimos ou lemos, sem que indaguemos se tais palavras são verdadeiras ou falsas. 
                A linguagem pode ser conhecimento-comunicação, mas também pode ser encantamento-sedução.
A força da linguagem
                Podemos avaliar a força da linguagem tomando como exemplo os mitos e as religiões.
                - A palavra grega mythos, como já vimos, significa narrativa e, portanto, linguagem. 
                - O mito tem o poder de fazer com que as coisas sejam tais como são ditas ou pronunciadas. 
                - Também vemos a força realizadora ou concretizadora da linguagem nas liturgias religiosas.
                - A linguagem tem, assim, um poder encantatório, isto é, uma capacidade para reunir o sagrado e o profano
As palavras assumem o poder contrário também, isto é, criam tabus.
O poder mágico-religioso da palavra aparece ainda num outro contexto: o do direito.
Independentemente de acreditarmos ou não em palavras místicas, mágicas, encantatórias ou tabus, o importante é que existam, pois sua existência revela o poder que atribuímos à linguagem.
A outra dimensão da linguagem
                Para referir-se à palavra e à linguagem, os gregos possuíam duas palavras: mythos e logos. Diferentemente do mythos, logos é uma síntese de três palavras ou idéias: fala/palavra, pensamento/idéia e realidade/ser. 
                Logos é a palavra racional do conhecimento do real. É discurso (ou seja, argumento e prova), pensamento (ou seja, raciocínio e demonstração) e realidade (ou seja, os nexos e ligações universais e necessários entre os seres).
É a palavra-pensamento compartilhada: diálogo; é a palavra-pensamento verdadeira: lógica; é a palavra-pensamento de alguma coisa: o “logia” que colocamos no final de palavras como cosmologia, mitologia, teologia, ontologia, biologia, psicologia, sociologia, antropologia, tecnologia, filologia, farmacologia, etc.
A origem da linguagem
                Uma primeira divergência sobre o assunto surgiu na Grécia: a linguagem é natural aos homens (existe por natureza) ou é uma convenção social?
                Perguntar pela origem da linguagem levou a quatro tipos de respostas:
                1. a linguagem nasce por imitação, isto é, os humanos imitam, pela voz, os sons da Natureza;
                2. a linguagem nasce por imitação dos gestos, isto é, nasce como uma espécie de pantomima ou encenação, na qual o gesto indica um sentido;
3. a linguagem nasce da necessidade: a fome, a sede, a necessidade de abrigar-se e proteger-se, a necessidade de reunir-se em grupo para defender-se das intempéries, dos animais e de outros homens mais fortes levaram à criação de palavras, formando um vocabulário elementar e rudimentar, que, gradativamente, tornou-se mais complexo e transformou-se numa língua;
                4. a linguagem nasce das emoções, particularmente do grito (medo, surpresa ou alegria), do choro (dor, medo, compaixão) e do riso (prazer, bem-estar, felicidade). 



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