quinta-feira, 9 de maio de 2013

MODOS DE PRODUÇÃO II: A HISTÓRIA DE TRANSFORMAÇÃO DA SOCIEDADE


É a maneira pela qual a sociedade produz seus bens e serviços, como os utiliza e como os distribui. Também é chamado de sistema econômico.
Modo de Produção = Forças Produtivas + Relações de Produção
•       Toda sociedade tem uma forma de produção;
•       É constituída por fatores dinâmicos que mudam constantemente;
•       As mudanças acarretam rupturas nos modos de produção.
Principais modos de produção:
•       Comunal, primitivo;
•       Escravista;
•       Asiático;
•       Feudal;
•       Capitalista;
•       Socialista
Alguns desses modos de produção podem existir ao mesmo tempo ou podem ocorrer em épocas e locais diferentes, numa determinada sociedade.

Modos de Produção Pré –Capitalistas
Quando se define uma sociedade a partir de seu modo de produção, não é necessário dizer que ele é o único e sim que é o mais importante.

Modo de Produção Comunal Primitivo

•       Os seres humanos viviam em grupos nômades e dependiam exclusivamente dos recursos naturais da região;
•       Sobreviviam graças à coleta e ao extrativismo;
•       As pessoas deixaram de ser nômades, começaram a cultivar a terra (por volta 10000 a.C) e passaram a se fixar em determinadas regiões (cultivando frutas e legumes e ainda criando animais);
•       As pessoas trabalhavam em estreita cooperação. A terra era o principal meio de produção;
•       Não existia a idéia de propriedade privada e não havia oposição entre proprietários e trabalhadores;
•       A comunidade primitiva foi a primeira forma de organização humana.

Modo Asiático de Produção

•       Predominou na índia e no Egito da antiguidade bem como civilizações pré-colombianas como incas, maias e astecas;
•       Sociedades fechadas, equipadas com Estado forte e uma burocracia eficiente;
•       Todas as forças de trabalho pertenciam ao Estado, encarnado na figura do Imperador.
•       O grupo mais privilegiado era o dos sacerdotes, nobres e guerreiros;
•       O grupo mais poderoso era o dos administradores públicos que atuavam em nome do Estado.
•       No entanto, sucumbiram a seus próprios excessos -  luxo e desperdícios das camadas superiores;
•       Invasões estrangeiras – incas e astecas desapareceram.


Modo de Produção Escravista

·         Os meios de produção e os escravos eram de propriedade do senhor.
·         O escravo era considerado um objeto, instrumento;
·         As relações de produção eram de domínio e sujeição.
·         O senhor era dono dos portadores da força de trabalho, dos meios de produção e do produto do trabalho.;
·         Exigia um controle rígido dos escravos dominados e regras para regular a ordem social;
·         Necessidade que surgisse o Estado para garantir os interesses dos senhores;
·         Sociedades: a grega e a romana da antiguidade clássica.
·         A economia escravista era basicamente agrária;
·         Nas cidades o desenvolvimento intelectual era privilégio dos cidadãos livres.
·         Na Grécia o trabalho manual era desprezado;
·         A sociedade romana repetiu esse modelo;
·         Nos dois casos, foi preciso manter uma enorme exercito como máquina de guerra, para invadir e conquistar muitos povos a fim e conseguir mais riquezas.


Modo de Produção Feudal

·         Predominou na Europa;
·         Nas cidades-estado italianas como Veneza, Florença, e da península ibérica de Portugal e Espanha, onde passaram quase toda Idade Média sob o domínio mulçumano;
·         Estruturou-se sob a divisão entre senhores e servos;
·         As relações baseavam-se na propriedade do senhor sobre a terra e no trabalho agrícola do servo;
·         Os servos não viviam como escravos, eles tinham direito de cultivar um pedaço de terra cedida pelo senhor desde que, em troca, pagassem a ele impostos e rendas. Eram obrigados a trabalhar nas terras do senhor sem nada receber, sistema conhecido como corveia. A terra era apenas para usufruto.
·         Os senhores tinham o poder econômico e político, portanto faziam as leis e obrigavam os servos  a cumpri-las;
·         Baseavam-se no campo pouco importando as cidades.
·         Os nobres e bispos mantinham-se muitos bem protegidos pelos seus próprios exércitos e gozavam de considerável independência política em relação ao rei;

Queda do feudalismo

•       Guerras prolongadas e epidemias.
•       Surgimento de novas cidades e o incremento da produção manufatureira para atender às necessidades crescentes da população urbana;
•       Origem a uma nova classe social: a burguesia mercantil;
•       Choque entre  a burguesia a  nobreza feudal;
•       Os servos abandonaram suas antigas aldeias feudais;
•       Sucessivas revoltas camponesas;
•       Crescimento do comércio estimulou a populações a estabelecer seus próprios tribunais, suas leis e seus próprios sistemas de impostos.
•       Com a necessidade de um novo tipo de sociedade uma nova forma de organização estava criada: o modo capitalista de produção 

domingo, 5 de maio de 2013

Modos de Produção I


A base econômica da sociedade
Bens e serviços
Quando vamos a um supermercado comprar alimentos, produtos de limpeza ou eletrodomésticos, estamos ad­quirindo bens. Em contrapartida, quando pagamos a passagem de ônibus ou uma consulta médica, estamos comprando serviços.
Em qualquer atividade econômica, bens e serviços estão interligados. Uns dependem dos outros para que o sis­tema econômico funcione. Bens e serviços resultam da transformação de recursos da natureza em objetos úteis à vida humana. E isso só ocorre por meio do trabalho nos processos de produção.
Produção, distribuição, consumo
Com nosso trabalho, somos capazes de produzir alguns bens e realizar serviços que eventualmente podemos utilizar. Entretanto, como um indivíduo isolado não é capaz de produzir tudo aquilo de que precisa, somos "obrigados" a viver em sociedade. Coletivamente, as pessoas participam da vida econômica, tendo como prin­cipais atividades a produção, a distribuição e o consumo de bens e serviços. Enquanto trabalham, os operários estão atuando na produção. Como compradores de bens e serviços, participam da distribuição. Quando conso­mem esses bens e serviços, estão participando da atividade econômica na condição de consumidores.
Transformando matéria-prima em bens
Vamos considerar outro exemplo. Em seu trabalho, a costureira transforma em roupa uma peça de tecido de al­godão que é obtida de uma matéria prima vegetal. Para isso, ela trabalha com uma má quina de costura, utili­zando linhas, botões, colchetes, tesouras e agulhas. Seu trabalho também exige o consumo de energia elétrica para a iluminação e para o funcionamento da máquina de costura.
Finalmente, com as técnicas que aprendeu e a habilidade que desenvolveu, a costureira produz um vestido. En­tretanto, para que esse vestido existisse foi necessária uma sucessão de trabalhos diferentes. Da lavoura do algodão ao último botão pregado na roupa, houve trabalho humano físico e mental.
O processo de produção é formado por três componentes principais associados:
  • trabalho;
  • matéria-prima;
  • instrumentos de produção.

O trabalho humano
Todo trabalho resulta da combinação de dois tipos de atividade: manual e intelectual. O que varia é a proporção com que esses dois aspectos entram no processo de produção. O trabalho de um operá­rio é mais manual do que intelectual; em alguns casos, quase exclusivamente manual. Apesar disso, exige certo esforço mental.
Já o trabalho de um engenheiro é mais intelectual do que manual a elaboração e os cálculos neces­sários para projetar uma ponte, por exemplo. Entretanto, sua atividade tem um aspecto manual, seja no manuseio dos instrumentos de trabalho, seja na passagem da concepção do projeto para o papel.
O trabalho pode ser classificado conforme o grau de capacitação exigido do profissional. As sim, te­mos:
  • trabalho qualificado não pode ser realizado sem um certo grau de aprendizagem e conheci­mento técnico; o trabalho de um torneiro mecânico, por exemplo, enquadra-se nessa categoria;
  • trabalho não qualificado pode ser realizado praticamente sem aprendizagem; por exemplo, o trabalho de um servente de pedreiro.
Matéria-prima
Os componentes iniciais do produto que no processo de produção são transformados até adquirirem a forma de bem final são chamados de matéria-prima.
Meios de produção
Todos os objetos que direta ou indiretamente nos permitem transformar matéria-prima em bem final são chamadas de instrumentos de produção. É o caso das ferramentas, dos equipamentos e das máquinas. O local de trabalho, a iluminação, a ventilação e as instalações necessárias à atividade produtiva também são instrumentos de produção.
Assim, instrumento de produção é todo bem utilizado pelo ser humano na produção de outros bens e serviços.
As forças produtivas
Todo processo produtivo combina o trabalho com os meios de produção. Esses dois componentes estão presentes tanto na produção artesanal de uma bordadeira quanto nas atividades de uma grande indústria moderna.
Ao conjunto dos meios de produção somados ao trabalho humano damos o nome de forças produtivas. Assim:
Forças produtivas
meios de produção
+
trabalho humano

sábado, 27 de abril de 2013

Mudança social II


Fatores contrários e favoráveis à mudança social
 - Grande parte das mudanças sociais só ocorre depois de vencer muitas resistências e obstáculos;
 - Advento do cristianismo e da democracia;
 - Campanhas feministas/ direito ao voto;
 - Obstáculos são barreiras que têm origem na própria estrutura social e dificultam ou impedem a mudança social;
 - Resistências são reações conscientes e deliberadas para impedir a mudança social. Ex.: vacina obrigatória
As atitudes individuais e sociais que favorecem ou rejeitam a mudança social podem ser classificadas em quatro tipos principais:a)      Atitude conservadora: é aquela que se mostra contrária ou temerosa em relação às mudanças. Uma das manifestações dessa atitude é o tradicionalismo, pelo qual o respeito à tradição, a imposição de valorescultivados pelos mais velhos as mais jovens e as normas tradicionalmente vigentes na sociedade emergem-se como alguns obstáculos às inovações na vida social;b)      Atitude reacionária: equivale ao conservadorismo exagerado. Opõe-se, não raro pela violência, a qualquer tipo de mudança nas instituições sociais e até mesmo às simples introdução de inovações.

c)      Atitude reformista ou progressista: é a que vê com agrado a mudança moderada. É o desejo de mudanças gradativas dos modos de vida existentes e das instituições. Aqueles que adotam essa posição são geralmente pessoas de centro-esquerda ou de esquerda moderada.

d)      Atitude revolucionária: é a posição adotada pela esquerda radical. Defende transformações profundas e imediatas das instituições, até com o emprego de métodos violentos, para mudar a situação social existente.

Consequências da mudança social
 - Mudanças gradativas não destroem as instituições sociais existentes, apenas objetivam aprimorá-las e melhorá-las com pequenas e contínuas mudanças;
 - As transformações radicais e profundas alteram toda a estrutura social de uma sociedades;
 - Reformas: são mudanças gradativas que procuram melhorar as instituições sem destruí-las, sem romper com os costumes. Tem o objetivo de melhorar uma situação.
 - Revolução: mudança social profunda e violenta, que destrói ou procura destruir a ordem social existente substituindo-a por outra. Alteram todo o sistema de relações sociais.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Mudança Social - Sociologia



Entendemos por mudanças sociais as transformações na vida e no funcionamento da sociedade. Toda mudança social é resultado de processos pelos quais a sociedade inteira, ou apenas alguns aspectos dela, passa de um estado a outro.
A sociedade não é estática
Para explicar melhor o conceito de mudança social, tomemos como exemplo a abolição da escravatura no Brasil no dia 13 de maio de 1888. Ela ocorreu como resultado de um movimento, a campanha abolicionista, que mobilizou amplos setores da opinião publica brasileira durante décadas. Uma das modificações sociais decorrentes desse fato ocorreu, nas instituições econômicas. O trabalho, por exemplo, deixou de ser escravo e passou a ser realizado por trabalhadores livres e assalariados. Por sua vez, a instituição do trabalho assalariado desencadeou profundas transformações na estrutura social brasileira do final do século XIX.
Modernidade e tradição
Uma das características mais marcantes da sociedade moderna tem sido sua capacidade de produzir e absorver mudanças sociais. Ora, cada grande mudança social representa uma certa ruptura com a tradição. Entretanto, isso não significa necessariamente que as sociedades modernas tenham rompido inteiramente seus vínculos com o passado e com as tradições.
Mudança social e relações sociais
As mudanças sociais alteram a estrutura social e com ela também as relações sociais. As modificações por que passou a família, por exemplo, levaram a uma menor distância social entre pais e filhos.
No ritmo das mudanças
O ritmo das mudanças sociais varia de sociedade para sociedade: é lento nas sociedades mais simples, como as pequenas comunidades isoladas, e acelerado e até vertiginoso nas sociedades industriais e pós-industriais, especialmente nas grandes cidades, onde a estrutura social apresenta maior complexidade. Se é fato incontestável que a sociedade está sempre em mutação, lenta ou acelerada, também é certo que as mudanças não têm o mesmo ritmo em todos os setores da sociedade, nem ocorrem das mesma forma nas diversas áreas da vida cultural e social.
Causas das mudanças sociais
As mudanças sociais podem ser causadas pela ação de diversos fatores. A seguir, destacamos alguns deles.
Fatores geográficos
Houve uma época em que se costumava dizer que “o homem é um produto do meio”. Atualmente, já não se pensa assim, pois se sabe que o próprio meio é influenciado pela ação dos seres humanos. Apesar disso, o fator geográfico tem grande importância na produção de mudanças sociais. Por exemplo, as secas no Nordeste brasileiro.
Fatores econômicos
A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra na segunda metade do século XVIII, foi talvez o processo econômico que mais mudança causou na estrutura da sociedade moderna. De um modo geral, o desenvolvimento econômico contribui para grandes mudanças na vida da sociedade, elevando o nível de vida dos grupos sociais e estimulando a mobilidade social, com a passagem de pessoas de uma classe social para outra.
Fatores sociais
Conflitos entre classes sociais, guerras e revoluções estão entre os processos que mais modificam a estrutura social das sociedades. A Revolução Francesa de 1789, por exemplo, alterou completamente as relações sociais e as formas de vida da sociedade francesa, extinguindo a monarquia absoluta e o controle do poder pela nobreza.
Fatores culturais
O surgimento de uma nova crença religiosa pode ser determinante na promoção de mudanças sociais, como aconteceu com o advento do cristianismo e do islamismo. Em outro plano, as descobertas científicas, ao ampliar o domínio do ser humano sobre a natureza, contribuem também para provocar mudanças na sociedade.
Mudanças endógenas e mudanças exógenas
As mudanças sociais podem ser provocadas por forças endógenas ou por forças exógenas. Nessas duas formas enquadram-se os fatores determinantes que acabamos de estudar.
Forças endógenas ou internas
São aquelas que têm sua origem no interior da própria sociedade. Entre essas forças, estudaremos particularmente as invenções;
Forças exógenas ou externas
São as que provêm de outras sociedades, como é o caso da difusão cultural.
Invenções
Primeiramente vamos diferenciar invenção de descoberta.
 Descoberta é a aquisição de um novo conhecimento, de uma informação nova.
 Invenção é o elemento ativo, a aplicação da descoberta.
Por isso, dizemos: descoberta da eletricidade e invenção da lâmpada. Assim, a mera descoberta não modifica a cultura ou a sociedade. Isso decorre de sua aplicação prática, isto é, da invenção.
Toda invenção é produto de uma sociedade determinada, embora não seja criação da sociedade em seu conjunto. Na verdade, a sociedade fornece as bases para o surgimento da invenção, pois todo inventor utiliza o conhecimento acumulado de sua cultura. Nenhuma geração parte da estaca zero, mas de uma herança social transmitida.
As invenções são geradas pela combinação do patrimônio cultural da sociedade com determinadas necessidades sociais.
Difusão cultural
Ao lado das invenções, há uma força externa que, juntamente com outros fatores, ocasiona mudanças sociais: a difusão cultural. É a difusão que aumenta e expande a cultura das várias sociedades e acelera o ritmo de mudança.
É mais fácil substituir ou difundir técnicas do que valores morais, ideias, sistemas religiosos ou filosóficos. Estes estão impregnados de reações emotivas, de significado simbólico difícil de copiar e de modificar. Além disso, os valores morais, os modos de vida e as religiões têm um enraizamento muito mais profundo no ser humano do que o uso de determinadas técnicas e máquinas; portanto, são mais difíceis de serem substituídos.
A difusão cultural se dá atualmente de modo muito mais rápido do que até algumas décadas atrás. Isso porque a rapidez das mensagens transmitidas pelos meios de comunicação tende a se tornar cada vez maior.
Exemplo: a difusão da cultura norte americana sobre os países emergentes.



sexta-feira, 29 de março de 2013

Ética e Ciência - Aula 6


A genética moderna conferiu aos seres humanos um grande poder sobre a hereditariedade, trazendo técnicas para conhecer os genes das espécies vegetais e animais, para decifrar as mensagens químicas cifradas das moléculas gênicas e até para modificar genótipos individuais. 
A biologia molecular, descobrindo a origem da vida, abalou os alicerces dos mitos, das religiões, da sabedoria tradicional e dos valores humanos. 
A responsabilidade moral e os limites do conhecimento genético contemporâneo
Os conhecimentos desenvolvidos nessa área do saber, ainda que imensos e cientificamente revolucionários, são ainda muito pequenos e incertos. No entanto, precipitadamente, já têm propiciado ações sobre espécies vegetais e animais e sobre o homem, sem que se possa prever os efeitos futuros dessas intervenções. O chamado caso da “doença da bolha” pode servir de exemplo aqui. Os que sofrem dessa doença possuem graves problemas imunológicos, isto é, seu organismo não produz glóbulos brancos que sirvam de anticorpos que o proteja de agressões do meio ambiente. Para conservar em vida essas pessoas, elas são confinadas desde o nascimento em ambientes de assepsia perfeita e completa (a “bolha”) e não entram em contato direto com nenhuma outra forma de vida, nem mesmo humana. Tem sido considerado um sucesso um experimento genético realizado para alterar as células das crianças nascidas com esse terrível problema, de maneira que possam fabricar os glóbulos brancos ou leucócitos e levar uma vida normal. Infelizmente, algumas dessas crianças agora estão morrendo pelo problema contrário, isto é, por leucemia ou fabricação excessiva de leucócitos.
Os cientistas que pretendem sequenciar o genoma humano acreditam chegar a um conhecimento que nos livre de dores e sofrimentos, cure doenças, prolongue a juventude e adie a morte, graças ao aperfeiçoamento da própria espécie humana com o controle sobre a hereditariedade.
Um dos problemas éticos mais graves trazidos pela genética encontra-se na chamada “sondagem gênica”, por meio da qual se pretende detectar, por exemplo, pessoas que teriam genes que as predisporiam para a criminalidade ou as que teriam genes que as predisporiam para certas doenças ligadas a certos tipos de trabalho.
Um segundo problema, derivado do anterior, é trazido pela chamada “terapia gênica germinal”, isto é, que intervém em células humanas da reprodução ou células germinais com a finalidade de curar doenças genéticas ou corrigir “defeitos genéticos”. 
Problema científico: a intervenção sobre células reprodutoras para curar doenças genéticas não pode ser feita sem que se tenha uma clara e perfeita definição do que é a doença. Ora, a genética ainda não possui essa definição. 
Problema moral: O da eugenia, isto é, a velha ideia de “pureza da raça” ou de purificação da espécie, em nome da qual não só seriam feitas intervenções e modificações nas células reprodutoras, mas também se justificaria a eliminação dos “impuros” ou dos “inferiores” ou dos “defeituosos”. 

domingo, 24 de março de 2013

A liberdade II - Aula- 5


Três grandes concepções da liberdade
Primeira concepção da liberdade
 - A primeira grande teoria filosófica da liberdade é exposta por Aristóteles em sua obra Ética a Nicômaco e, com variantes, permanece através dos séculos, chegando até o século XX, quando foi retomada por Sartre.
- Nessa concepção, a liberdade se opõe ao que é condicionado externamente (necessidade) e ao que acontece sem escolha deliberada (contingência).
-  Diz Aristóteles que é livre aquele que tem em si mesmo o princípio para agir ou não agir, isto é, aquele que é causa interna de sua ação ou da decisão de não agir.
-  A liberdade é concebida como o poder pleno e incondicional da vontade para determinar a si mesma ou para ser autodeterminada.
-  É pensada, também, como ausência de constrangimentos externos e internos, isto é, como uma capacidade que não encontra obstáculos para se realizar, nem é forçada por coisa alguma para agir.
-  Trata-se da espontaneidade plena do agente, que dá a si mesmo os motivos e os fins de sua ação, sem ser constrangido ou forçado por nada e por ninguém.
- Sartre levou essa concepção ao ponto limite. Para ele, a liberdade é a escolha incondicional que o próprio homem faz de seu ser e de seu mundo.
- Quando julgamos estar sob o poder de forças externas mais poderosas do que nossa vontade, esse julgamento é uma decisão livre, pois outros homens, nas mesmas circunstâncias, não se curvaram nem se resignaram.
- Sartre afirma que estamos condenados à liberdade. É ela que define a humanidade dos humanos, sem escapatória.
Segunda concepção da liberdade
-          A segunda concepção da liberdade foi, inicialmente, desenvolvida por uma escola de Filosofia do período helenístico, o estoicismo, ressurgindo no século XVII com o filósofo Espinosa e, no século XIX, com Hegel e Marx.
-          Eles conservam a idéia aristotélica de que a liberdade é a autodeterminação ou ser causa de si. Conservam também a ideia de que é livre aquele que age sem ser forçado nem constrangido por nada ou por ninguém e, portanto, age movido espontaneamente por uma força interna própria.
No entanto, diferentemente de Aristóteles e de Sartre, não colocam a liberdade no ato de escolha realizado pela vontade individual, mas na atividade do todo, do qual os indivíduos são partes.
O todo ou a totalidade pode ser a Natureza – como para os estóicos e Espinosa  -, ou a Cultura  – como para Hegel  – ou, enfim, uma formação histórico-social  – como para Marx.
Em qualquer dos casos, é a totalidade que age ou atua segundo seus próprios princípios, dando a si mesma suas leis, suas regras, suas normas.
Essa totalidade é livre em si mesma porque nada a força ou a obriga do exterior, e por sua liberdade instaura leis e normas necessárias para suas partes (os indivíduos).
Liberdade Humana
  1. a primeira afirma que o todo é racional e que suas partes também o são, sendo livres quando agirem em conformidade com as leis do todo, para o bem da totalidade;
  2. a segunda afirma que as partes são de mesma essência que o todo e, portanto, são racionais e livres como ele, dotadas de força interior para agir por si mesmas, de sorte que a liberdade é tomar parte ativa na atividade do todo.
Terceira concepção da liberdade
Não somos um poder incondicional de escolha de quaisquer possíveis, mas que nossas escolhas são condicionadas pelas circunstâncias naturais, psíquicas, culturais e históricas em que vivemos, isto é, pela totalidade natural e histórica em que estamos situados.
Essa terceira concepção da liberdade introduz a noção de possibilidade objetiva.
-          O possível não é apenas alguma coisa sentida ou percebida subjetivamente por nós, mas é também e sobretudo alguma coisa inscrita no coração da necessidade, indicando que o curso de uma situação pode ser mudado por nós, em certas direções e sob certas condições.
-          A liberdade é a capacidade para perceber tais possibilidades e o poder para realizar aquelas ações que mudam o curso das coisas, dando-lhe outra direção ou outro sentido.
Vida e morte
Vida e morte são acontecimentos simbólicos, são significações;
Viver e morrer são a descoberta da finitude humana, de nossa temporalidade e de nossa identidade;
A ética é o mundo das relações intersubjetivas, isto é, entre o eu e o outro como sujeitos

sábado, 16 de março de 2013

A liberdade I - Aula 4


A liberdade
A liberdade como problema
O que está inteiramente em nosso poder e o que depende inteiramente de causas e forças exteriores que agem sobre nós?
Podemos mais do que o mundo ou este pode mais do que nossa liberdade?
Até onde se estende o poder de nossa vontade, de nosso desejo, de nossa consciência?
A liberdade como questão filosófica
Par necessidade-liberdade:
-          A realidade é feita de situações adversas e opressoras, contra as quais nada podemos fazer, pois são necessárias;
-          Necessidade é o termo empregado para referir-se ao todo da realidade, existente em si e por si, que age sem nós e nos insere em sua rede de causas e efeitos, condições e consequências;
-          Fatalidade é o termo usado quando pensamos em forças transcendentes superiores às nossas e que nos governam, queiramos ou não;
-          Determinismo é o termo empregado para referir-se às relações causais necessárias que regem a realidade conhecida e controlada pela ciência.
Par contingência-liberdade:
- Contingência ou acaso significam que a realidade é imprevisível e mutável, impossibilitando deliberação e decisão racionais, definidoras da liberdade.
Exemplo de oposição entre necessidade e liberdade
Não escolhi nascer numa determinada época, num determinado país, numa determinada família, com um corpo determinado. As condições de meu nascimento e de minha vida fazem de mim aquilo que sou e minhas ações, meus desejos, meus sentimentos, minhas intenções, minhas condutas resultam dessas condições, nada restando a mim senão obedecê-las. Como dizer que sou livre e responsável?
Exemplo de oposição entre contingência e liberdade
Quando minha mãe estava grávida de mim, houve um acidente sanitário, provocando uma epidemia. Minha mãe adoeceu. Nasci com problemas de visão. Foi por acaso que a gravidez de minha mãe coincidiu com o acaso da epidemia: por acaso, ela adoeceu; por acaso, nasci com distúrbios visuais. Tendo tais distúrbios, preciso de cuidados médicos especiais. No entanto, na época em que nasci, o governo de meu país instituiu um plano econômico de redução de empregos e privatização do serviço público de saúde. Meu pai e minha mãe ficaram desempregados e não podiam contar com o serviço de saúde para meu tratamento. Tivesse eu nascido em outra ocasião, talvez pudesse ter sido curada de meus problemas visuais.