Senso moral e
consciência moral
Senso
moral
Senso moral é a maneira como avaliamos nossa
situação e a de nossos semelhantes, nosso comportamento, a conduta e a ação de
outras pessoas segundo idéias como as de justiça e injustiça, certo e errado,
de mérito e grandeza de alma. São exemplos de senso moral a indignação que
sentimos diante de pessoas que passa fome, o nosso sentimento de vergonha,
remorso, culpa diante das coisas que julgamos ter feito errado, quando ficamos
contentes e emocionados diante de uma pessoa cujas palavras e ações manifestam honestidade,
honradez, espírito de justiça e altruísmo.
Consciência moral
A
consciência moral não se limita aos nossos sentimentos morais, mas se refere
também a avaliações de conduta que nos levam a tomar decisões por nós mesmos, a
agir em conformidade com elas e a responder por elas perante os outros. È o que
ocorre quando enfrentamos situações angustiantes que nos deixam em dúvida
quanto à decisão a tomar, como em certos casos de eutanásia, de aborto, de
delação.
O senso e a consciência moral têm como pressuposto fundamental
a idéia de liberdade, porque dependem exclusivamente de nós mesmos, nascem de
nossa capacidade de avaliar e decidir por nós mesmos e não levados por outros
ou abrigados por eles.
Juízo de fato
É o que diz que algo é ou existe, é o que diz
o que as coisas são como são e porque são. Por exemplo, “Está chovendo”, “Estou
com fome”, “Crianças estão brincando”.
Juízo de valor
Avaliam coisas, pessoas, ações, experiências,
acontecimentos, sentimentos, estados de espírito, intenções e decisões como
bons ou maus, desejáveis ou indesejáveis. Não se limitam a dizer que algo é ou
como é, mas como deve ser. Por exemplo, “A chuva é boa para as plantas”, “Comer
demais faz mal”, “Crianças estão brincando com coisa séria”.
Moral e cultura
A diferença entre a natureza e a cultura. A primeira, como vimos, é
constituída por estruturas e processos necessários, que existem em si e por si
mesmos, independentemente de nós: a chuva, por exemplo, é um fenómeno
meteorológico cujas causas e cujos efeitos necessários não dependem de nós e
que apenas podemos constatar e explicar.
Por sua vez, a
cultura nasce da maneira como os seres humanos interpretam a si mesmos e as
suas relações com a natureza, acrescentando-lhe sentidos novos, intervindo
nela, alterando-a por meio do trabalho e da técnica, dando-lhe significados
simbólicos e valores.
Ética e
violência
Em nossa cultura a violência
é entendida como violação da integridade física e psíquica, profanação das
coisas sagradas e a discriminação social e política de pessoas por causa de
suas crenças.
Os constituintes do campo
ético
O campo ético é constituído pelo agente livre, que é o sujeito moral ou a pessoa moral, e
pelos valores e obrigações que formam o conteúdo das condutas morais, ou seja, as virtudes ou as condutas e ações
conformes ao bem.
O
agente moral
O agente moral, isto é, o sujeito moral ou a
pessoa moral, só pode existir se preencher as seguintes condições:
• ser
consciente de si e dos outros, isto é, ser capaz de reflexão e de
reconhecer a existência dos outros como sujeitos éticos iguais a si;
• ser
dotado de vontade, isto é, de
capacidade para controlar e orientar desejos, impulsos, tendências, paixões,
sentimentos e de capacidade para deliberar e decidir entre várias alternativas
possíveis;
• ser
responsável, isto é, reconhecer-se como autor da ação, avaliar os efeitos e
as consequências dela sobre si e sobre os outros;
• ser
livre, isto é, ser capaz de oferecer-se como causa interna de seus
sentimentos, atitudes e ações, por não estar submetido a poderes externos que o
forcem e o constranjam a sentir, a querer e a fazer alguma coisa.
Os valores
ou fins éticos
Do
ponto de vista dos valores, a ética exprime a maneira como uma cultura e uma
sociedade definem para si mesmas o que julgam ser o mal e o vício, a violência
e o crime e, como contrapartida, o que consideram ser o bem e a virtude, a
brandura e o mérito. Independentemente do conteúdo e da forma que cada cultura
lhe dá, todas as culturas consideram virtude algo que é o melhor como sentimento,
como conduta e como ação; a virtude é a excelência, a realização
perfeita de um modo de ser, sentir e agir. Em contrapartida, o vício é o que é
o pior como sentimento, como conduta e como ação; o vício é a baixeza dos
sentimentos e das ações.
Por
realizar-se como relação intersubjetiva e social, a ética não é alheia ou
indiferente às condições históricas e políticas, econômicas e culturais da ação
moral. Consequentemente, embora do ponto de vista da sociedade que a institui
uma ética seja sempre considerada universal (universal porque seus valores são
obrigatórios para todos os seus membros), de fato, toda ética está em relação
com o tempo e a história, transformando-se para responder a exigências novas
da sociedade e da cultura, pois somos seres históricos e culturais e nossa ação
se desenrola no tempo.
Os
meios morais
Além
do sujeito ou pessoa moral e dos valores ou fins morais, o campo ético é ainda
constituído por um outro elemento: os meios
para que o sujeito realize os fins.
Costuma-se
dizer que os fins justificam os meios, de modo que, para alcançar um fim
legítimo, todos os meios disponíveis são válidos. No caso da ética, porém, essa
afirmação não é aceitável.
No
caso da ética, portanto, nem todos os meios são justificáveis, mas apenas aqueles
que estão de acordo com os fins da própria ação. Em outras palavras, fins
éticos exigem meios éticos.
A
relação entre meios e fins pressupõe a ideia de discernimento, isto é, que
saibamos distinguir entre meios morais e imorais, tais como nossa cultura ou
nossa sociedade os definem. Isso significa também que esse discernimento não
nasce conosco, mas precisa ser adquirido por nós e, portanto, a pessoa moral
não existe como um fato dado, mas é criada pela vida intersubjetiva e social,
precisando ser educada para os valores morais e para as virtudes de sua
sociedade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário