A percepção
Sensação e percepção
-
A sensação é o que nos dá as qualidades
exteriores e interiores, isto é, as qualidades dos objetos e os efeitos
internos dessas qualidades sobre nós. Na sensação vemos, tocamos, sentimos,
ouvimos qualidades puras e diretas: cores, odores, sabores, texturas. Sentimos
o quente e o frio, o doce e o amargo, o liso e o rugoso, o vermelho e o verde,
etc.
-
Sentir é algo ambíguo, pois o sensível é, ao
mesmo tempo, a qualidade que está no objeto e o sentimento interno que nosso
corpo possui das qualidades sentidas.
-
Quando examinamos a sensação, notamos que
ninguém diz que sente o quente, vê o azul e engole o amargo. Pelo contrário,
dizemos que a água está quente, que o céu é azul e que o alimento está amargo.
Isto é, sentimos as qualidades como integrantes de seres mais amplos e
complexos do que a sensação isolada de cada qualidade.
Empirismo e intelectualismo
- Para os empiristas, a sensação
e a percepção dependem das coisas exteriores, isto é, são causadas por
estímulos externos que agem sobre nossos sentidos e sobre o nosso sistema
nervoso, recebendo uma resposta que parte de nosso cérebro, volta a percorrer
nosso sistema nervoso e chega aos nossos sentidos sob a forma de uma sensação
(uma cor, um sabor, um odor), ou de uma associação de sensações numa percepção
(vejo um objeto vermelho, sinto o sabor de uma carne, sinto o cheiro da rosa,
etc.).
- Para os intelectualistas, a sensação e a
percepção dependem do sujeito do conhecimento e a coisa exterior é apenas a
ocasião para que tenhamos a sensação ou a percepção. Nesse caso, o sujeito é
ativo e a coisa externa é passiva, ou seja, sentir e perceber são fenômenos que
dependem da capacidade do sujeito para decompor um objeto em suas qualidades
simples (a sensação) e de recompor o objeto como um todo, dando-lhe organização
e interpretação (a percepção).
- Para os empiristas, a sensação conduz à
percepção como uma síntese passiva, isto é, que depende do objeto exterior.
Para os intelectualistas, a sensação conduz à percepção como síntese ativa,
isto é, que depende da atividade do entendimento.
Psicologia da forma e
fenomenologia
-
Em nosso século, porém, a Filosofia alterou
bastante essas duas tradições e as superou numa nova concepção do conhecimento
sensível. As mudanças foram trazidas pela fenomenologia de Husserl e pela
Psicologia da Forma ou teoria da Gestalt (Gestalt é uma palavra alemã que
significa: configuração, figura estruturada, forma).
•
contra o empirismo, que a sensação não é reflexo
pontual ou uma resposta físico-fisiológica a um estímulo externo também
pontual;
•
contra o intelectualismo, que a percepção não é
uma atividade sintética feita pelo pensamento sobre as sensações;
•
contra o empirismo e o intelectualismo, que não
há diferença entre sensação e percepção.
Fenomenologia e Gestalt, porém,
mostram que não há diferença entre sensação e percepção porque nunca temos
sensações parciais, pontuais ou elementares, isto é, sensações separadas de
cada qualidade, que depois o espírito juntaria e organizaria como percepção de
um único objeto. Sentimos e percebemos formas, isto é, totalidades estruturadas
dotadas de sentido ou de significação.
As experiências conhecidas como
figura-e-fundo mostram que não temos sensações parciais, mas percepções globais
de uma forma ou de uma estrutura.
As experiências com formas
“incompletas” mostram que a percepção sempre percebe uma totalidade completa, o
que seria impossível se tivéssemos sensações elementares que o pensamento
unificaria numa percepção.
Nenhum comentário:
Postar um comentário