sábado, 1 de fevereiro de 2014

A existência ética

Senso moral e consciência moral

Senso moral

Senso moral é a maneira como avaliamos nossa situação e a de nossos semelhantes, nosso comportamento, a conduta e a ação de outras pessoas segundo idéias como as de justiça e injustiça, certo e errado, de mérito e grandeza de alma. São exemplos de senso moral a indignação que sentimos diante de pessoas que passa fome, o nosso sentimento de vergonha, remorso, culpa diante das coisas que julgamos ter feito errado, quando ficamos contentes e emocionados diante de uma pessoa cujas palavras e ações manifestam honestidade, honradez, espírito de justiça e altruísmo.

Consciência moral

 A consciência moral não se limita aos nossos sentimentos morais, mas se refere também a avaliações de conduta que nos levam a tomar decisões por nós mesmos, a agir em conformidade com elas e a responder por elas perante os outros. É o que ocorre quando enfrentamos situações angustiantes que nos deixam em dúvida quanto à decisão a tomar, como em certos casos de eutanásia, de aborto, de delação.

O senso e a consciência moral têm como pressuposto fundamental a ideia de liberdade, porque dependem exclusivamente de nós mesmos, nascem de nossa capacidade de avaliar e decidir por nós mesmos e não levados por outros ou abrigados por eles.

Juízo de fato

É o que diz que algo é ou existe, é o que diz o que as coisas são como são e porque são. Por exemplo, “Está chovendo”, “Estou com fome”, “Crianças estão brincando”.

Juízo de valor

Avaliam coisas, pessoas, ações, experiências, acontecimentos, sentimentos, estados de espírito, intenções e decisões como bons ou maus, desejáveis ou indesejáveis. Não se limitam a dizer que algo é ou como é, mas como deve ser. Por exemplo, “A chuva é boa para as plantas”, “Comer demais faz mal”, “Crianças estão brincando com coisa séria”.

Moral e cultura

 A diferença entre a natureza e a cultura. A primeira, como vimos, é constituída por estruturas e processos necessários, que exis­tem em si e por si mesmos, independentemente de nós: a chu­va, por exemplo, é um fenômeno meteorológico cujas causas e cujos efeitos necessários não dependem de nós e que apenas podemos constatar e explicar.
Por sua vez, a cultura nasce da maneira como os seres humanos interpretam a si mesmos e as suas relações com a natureza, acrescentando-lhe sentidos novos, intervindo nela, alterando-a por meio do trabalho e da técnica, dan­do-lhe significados simbólicos e valores.

Ética e violência

Em nossa cultura a violência é entendida como violação da integridade física e psíquica, profanação das coisas sagradas e a discriminação social e política de pessoas por causa de suas crenças.

Os constituintes do campo ético

O campo ético é constituído pelo agente livre, que é o sujeito moral ou a pessoa moral, e pelos valores e obrigações que formam o conteúdo das condutas morais, ou seja, as virtudes ou as condutas e ações conformes ao bem.
O agente moral
O agente moral, isto é, o sujeito moral ou a pessoa mo­ral, só pode existir se preencher as seguintes condições:
• ser consciente de si e dos outros, isto é, ser capaz de re­flexão e de reconhecer a existência dos outros como su­jeitos éticos iguais a si;
• ser dotado de vontade, isto é,  de capacidade para con­trolar e orientar desejos, impulsos, tendências, paixões, sentimentos e de capacidade para deliberar e decidir entre várias alternativas possíveis;
• ser responsável, isto é, reconhecer-se como autor da ação, avaliar os efeitos e as consequências dela sobre si e sobre os outros;
• ser livre, isto é, ser capaz de oferecer-se como causa inter­na de seus sentimentos, atitudes e ações, por não estar submetido a poderes externos que o forcem e o constran­jam a sentir, a querer e a fazer alguma coisa.

Os valores ou fins éticos
Do ponto de vista dos valores, a ética exprime a ma­neira como uma cultura e uma sociedade definem para si mesmas o que julgam ser o mal e o vício, a violência e o cri­me e, como contrapartida, o que consideram ser o bem e a virtude, a brandura e o mérito. Independentemente do con­teúdo e da forma que cada cultura lhe dá, todas as cultu­ras consideram virtude algo que é o melhor como sentimen­to, como conduta e como ação; a virtude é a excelência, a realização perfeita de um modo de ser, sentir e agir. Em con­trapartida, o vício é o que é o pior como sentimento, como conduta e como ação; o vício é a baixeza dos sentimentos e das ações.
Por realizar-se como relação intersubjetiva e social, a ética não é alheia ou indiferente às condições históricas e políticas, econômicas e culturais da ação moral. Consequentemente, embora do ponto de vista da sociedade que a institui uma ética seja sempre considerada universal (uni­versal porque seus valores são obrigatórios para todos os seus membros), de fato, toda ética está em relação com o tempo e a história, transformando-se para responder a exi­gências novas da sociedade e da cultura, pois somos seres históricos e culturais e nossa ação se desenrola no tempo.
Os meios morais
Além do sujeito ou pessoa moral e dos valores ou fins morais, o campo ético é ainda constituído por um outro ele­mento: os meios para que o sujeito realize os fins.
Costuma-se dizer que os fins justificam os meios, de modo que, para alcançar um fim legítimo, todos os meios disponíveis são válidos. No caso da ética, porém, essa afir­mação não é aceitável.
No caso da ética, portanto, nem todos os meios são justificáveis, mas apenas aqueles que estão de acordo com os fins da própria ação. Em outras palavras, fins éticos exi­gem meios éticos.
A relação entre meios e fins pressupõe a ideia de dis­cernimento, isto é, que saibamos distinguir entre meios morais e imorais, tais como nossa cultura ou nossa socie­dade os definem. Isso significa também que esse discerni­mento não nasce conosco, mas precisa ser adquirido por nós e, portanto, a pessoa moral não existe como um fato dado, mas é criada pela vida intersubjetiva e social, preci­sando ser educada para os valores morais e para as virtu­des de sua sociedade.

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